Palestra Jornalismo de Dados em Software Livre

Com a abundância de informações que podem ser encontradas na rede, o processo de selecionar e analisar dados se torna mais complexo e necessário para os jornalistas. Porém, como agregar mais uma tarefa ao já atribulado dia-a-dia jornalístico? É ai que entram os softwares livres.

Esse foi o tema da palestra Jornalismo de Dados em Software Livre, realizada no dia 13 de novembro na Universidade Metodista de São Paulo, em São Bernardo do Campo. A palestra, uma realização do grupo de pesquisa Tecnologia, Comunicação e Ciência Cognitiva (Teeccog), pertencente ao programa de pós-graduação em comunicação social da Metodista, contou com Capi Etheriel para desenvolver e demonstrar o tópico em questão.

Capi é bacharel em midialogia pela Unicamp e membro da comunidade Transparência Hacker. Os principais temas abordados por ele foram as possibilidades trazidas pela cooperação entre jornalistas e hackers nas redações e as ferramentas que eles podem ter como aliadas na hora de apurarem informações para suas matérias.

Para o palestrante, os peritos da informática têm muita utilidade no jornalismo. Eles podem pesquisar e analisar dados rapidamente, e a partir desses descobrir discrepâncias que normalmente passariam despercebidas para o resto da sociedade. Capi usou os gastos governamentais como exemplo: “O jornalismo de dados não só assiste e enriquece informações pelo computador, como também passeia pelos dados e é sensível a eles. Uma coisa é se deparar com os dados de gastos do governo e outra coisa é sentar e analisar o quanto, por exemplo, está sendo gasto em comida no Palácio do Planalto.”

No que diz respeito às ferramentas que podem ser utilizadas, Capi ressaltou a importância da colaboração entre fontes. A partir dela, as pessoas podem fazer pesquisas, acrescentar dados e fazer comparações. “Quando você passa a compartilhar códigos com pessoas que se interessam pelo mesmo assunto, padrões começam a surgir. A partir daí, fica fácil cruzar informações, combiná-las entre si e perceber o que é reutilizável e quais protocolos serão seguidos”, explica.

O palestrante também trouxe à tona a discussão da tecnocracia, ou seja, o que é ou não possível ser feito tecnologicamente. A comunidade Transparência Hacker, da qual Capi se orgulha de fazer parte, é fundamental nessa questão. Já que a disponibilização de dados pelos órgãos e entidades governamentais é cheia de problemas burocráticos, o envolvimento dos hackers é uma das únicas maneiras de a população entrar em contato com essas informações.

“A prefeitura fala ‘olha, esse tipo de trabalho é caro, é difícil de fazer com os recursos que nós temos’. Daí nós [membros da comunidade Transparência Hacker] passamos cerca de três ou quatro dias sentados na Casa de Cultura Digital, juntamos um pessoal e falamos ‘vamos fazer isso?’. Montamos um sisteminha simples, que não passa por todas aquelas validações loucas que eles vão exigir, e provamos que não é impossível, porque nós fizemos. Isso acaba com a discussão”, conta o palestrante. “A melhor forma de fazer pressão é mostrar que é possível”, conclui.

“Existe uma esperança dentro de nós, cidadãos, de que eles tenham esses informes. Muitas vezes o governo não sabe onde estão os orelhões, não sabe por onde os ônibus passam. O importante para a comunidade é conseguirmos achar o valor na informação”, ressalta Capi.

Com a aprovação da Lei de Acesso à Informação, essa busca pelos dados se torna ainda mais incessante. Antes, quando o acesso a um dado era negado, não havia nenhum tipo de discussão. A lei faz com que os órgãos tenham que liberar informações e quando não o fazem, devem apresentar uma recusa formal. Para os hackers, esta última colabora para o questionamento legal da restrição.

Quando questionado por um dos membros da audiência da palestra sobre como estava sendo para os membros da comunidade Transparência Hacker lidar com dados após a aprovação da lei, Capi sorriu e disse: “Estamos fazendo a festa”.

 

Matéria e Foto por Isabela Moreira (Cásper Líbero)

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